O evento reuniu cerca de 300 ativistas, líderes comunitários, cientistas e defensores do meio ambiente para discutir estratégias para enfrentar a crise climática e agir para garantir justiça social e ambiental para todas as pessoas e povos.
Ilha de Santa Luzia – um caso de injustiça climática

Num painel do 8ENJC a Primeira Dama de Cabo Verde, Débora de Carvalho, apresentou uma situação elucidativa do que é a Injustiça Climática. Cabo Verde, à semelhança dos Países Africanos contribui praticamente para a crise climática. No entanto, sofre as consequências negativas dos países mais ricos. A Ilha de Santa Luzia, uma reserva desabitada, “é um contentor de lixo do mundo ocidental”. O trabalho que tem sido feito é tirar o lixo da praia porque é uma ilha que tem uma imensa nidificação de tartarugas. “Eu estou a receber lixo da pesca dos países desenvolvidos, restos de redes de pesca de toda a indústria pesqueira desses países e isso impede que as tartarugas que vêm a Cabo Verde nidificar, tenham uma prevalência de sucesso”, denuncia Débora Carvalho. Esta ativista também mostrou fotografias de caixas de plástico com indicação da sua origem, como do Brasil, marca Rio de Oro de 2021. Continua Débora Carvalho, “imaginem um país cujo potencial de desenvolvimento é o turismo e cuja nidificação de tartarugas é uma das principais atrações turística sendo que o meu potencial de desenvolvimento está a ser afetado pelo comportamento dos países ditos desenvolvidos. Eles têm um desenvolvimento económico, mas não um há um desenvolvimento ao nível do comportamento do consumo”.
A escola como espaço luta

Antecedendo o 8ENJC realizou-se na Casa da Cultura em Coimbra um evento em torno da educação e a escola.
Como “somos as pessoas que vamos viver o futuro” (Sara) é necessário ver a escola como espaço de luta e , assim, de educação.
Articular as lutas dos estudantes com a dos professores e assumir a escola como um espaço para a reivindicação é contrariar a despolitização que impera nas escolas, na sala de aulas, nas matérias relacionadas com o ambiente e questões sociais. Os 45 minutos de aulas de cidadania não servem para “repolitizar o que é naturalmente político” possibilitando os alunos e alunas perceberem que a política não é coisa que se delegue nos chamados políticos como há muitas crianças e jovens que assim pensam.
O estar ao lado é mais forte do que apoiar criando relações emocionais com os/as que estão na luta que vai para além do racional. Por isso a escola tem de se envolver nas causas e continua a não ser transmitida a realidade da Crise Climática.
Estas, algumas das ideias que passaram por este encontro sobre educação.
Novos ambientes de luta
Com uma perceção que o “sistema político está a falhar na resposta à crise climática, assim como “as ferramentas do costume ao alcança das pessoas” (concentrações, marchas, petições, etc), há que respeitar as Leis superiores da humanidade e da natureza (gás para trás) que se sobrepõem às outras.
No final do 8ENJC foram divulgadas as próximas lutas:
- Lançamento da data do protesto de resistência civil em massa Parar o Gás: no dia 13 de Maio centenas de pessoas vão travar o funcionamento da entrada principal de gás em Portugal – o terminal de Gás Natural Liquefeito no Porto de Sines, para lutarmos por eletricidade 100% renovável e acessível a todas as pessoas em Portugal até 2025.
- Greve Climática Global no dia 3 de Março!
- As Ocupações pelo fim ao fóssil a partir de dia 26 de Abril, “prometendo ocupar o dobro de escolas e levar a luta para fora de Lisboa”;
- 1ª ação judicial do contra o estado, organizada pela Último Recurso, baseado no incumprimento da defesa da Lei de Bases do Clima;
- Manifestação organizada pela Associação PROTEJO, para 25 de março, contra a proposta de construção de mais infraestruturas hidráulicas convencionais no rio Tejo.
Participação do ANIMAR

A ANIMAR participou no 8ENJC, com a presença de um representante que esteve nas sessões plenárias e nos painéis “Democracia energética: justiça na transição do sistema energético com as Associações Zero e Ecomood e no painel “Justiça climática, para quem e qual o papel das mulheres na resposta à Emergência Climática” com a YCL e UMAR.
A ANIMAR também teve uma banca no 8ENJC, onde disponibilizou as seguintes publicações:
- AFÁVEL, Agricultura Familiar e Valorização Territorial Sustentável em Contexto de Alterações Climáticas: perspetivas e um diagnóstico AFAVEL m Portugal, edição da ANIMAR, 2021
- Vez e Voz nº 11, Sem Planeta B – Impacto das Alterações Climáticas, Edição da ANIMAR, 2020



